terça-feira, 1 de janeiro de 2013

TEXTO: “Efeito Batom” – Em tempos de recessão: menos eletrônicos, e mais maquiagem!



Um período de recessão é caracterizado por um declínio significativo da taxa de crescimento econômico de alguma nação, o que se repercute, entre outras coisas, na diminuição do crédito dos consumidores que, consequentemente, reduzem significativamente o consumo. Porém, a psicologia já vem demonstrando que, em períodos de recessão econômica, os produtos de beleza não apresentam queda nas vendas. Muito pelo contrário, seu consumo fica intensificado, principalmente por parte do público feminino, caracterizando um fenômeno que recebe o nome de: “Efeito Batom” (Lipstick Effect).
Na sequência apresentarei os resultados de uma pesquisa bastante inovadora, publicada em Maio de 2012 no Journal of Personality and Social Psychology (fator de impacto: 5.076), realizada com a colaboração do eminente psicólogo evolucionista Vladas Griskevicius. Foi a primeira grande pesquisa a apresentar evidências contundentes de que o “Efeito Batom” existe, e a defender uma hipótese evolucionista consistente e capaz de explicá-lo.
O primeiro passo da pesquisa foi levantar uma enorme quantidade de dados referentes às vendas de diversos tipos de produtos (entre eles, os relacionados à beleza) ao longo dos últimos 20 anos nos EUA, e comparar esses índices de consumo em períodos de recessão, com os períodos de normalidade econômica. Isso os permitiu constatar uma associação significativa entre “recessão” e “maior aquisição de produtos de beleza”.
Porém, esse resultado, por si só, é incompleto. Afinal: Seria esse aumento realmente provocado pelas mulheres, ou pelos homens? Por isso, na sequência irei descrever alguns outros pequenos experimentos que os cientistas foram desenvolvendo para elucidar alguns pontos de dúvida que iam surgindo. Lembrando que todos os experimentos foram descritos num mesmo artigo (ver a referência no fim do texto).
Os pesquisadores então solicitaram a homens e mulheres que escolhessem alguns produtos dentre uma lista oferecida a cada participante. O detalhe é que uma metade desses participantes havia lido previamente um texto que abordava a crise econômica, enquanto que a outra metade leu um artigo que falava sobre arquitetura e urbanismo. Os resultados demonstraram que apenas no grupo das mulheres houve uma diferença significativa entre a escolha de produtos de beleza, sendo que aquelas que leram o texto sobre crise econômica antes, apresentaram uma tendência significativamente maior a escolher esses produtos, em detrimento de outros. Isso significa que esse parece ser sim um “efeito batom”, e que ele é quase totalmente restrito ao sexo feminino (lembrando que estamos falando em médias, o que significa que nem todas as mulheres sofrem esse efeito).
Contudo, ainda com o objetivo de esclarecer melhor o fenômeno, os pesquisadores conduziram um terceiro experimento tentando examinar a possibilidade de esse ser um mero efeito da recessão econômica em si. Ou seja, já se sabe que em períodos de crise, as pessoas tendem a consumir objetos menos caros, e que uma maquiagem é bem mais barata que um computador ou algum outro eletrônico, logo, faria sentido se as pessoas consumissem mais produtos de beleza simplesmente por eles custarem menos.
Para estudar essa possibilidade, os pesquisadores apresentaram às mulheres produtos de diferentes valores. O que eles verificaram foi um efeito um tanto quanto paradoxal. Em condições de crise financeira, as mulheres preferem produtos de beleza mais caros e que tenham uma eficácia melhor comprovada, em relação a outros produtos que não tenham relação com a beleza. Ou seja, elas literalmente deixam de comprar outras coisas, para comprar maquiagem, mesmo se essa for cara (aliás, quanto mais cara, mais desejada).
Agora é o momento de explicar: “Por que elas fazem isso?”.
Sempre que queremos explicar “o porquê” de algum comportamento, precisamos pensar em escala filogenética. Ou seja, temos que considerar a razão de tal comportamento ter sido selecionado ao longo do processo evolutivo. Em suma: qual a função daquele comportamento para a sobrevivência ou reprodução do indivíduo?
Sabe-se que há uma diferença de gênero bem marcante com relação aos critérios de seleção de parceiros. Ou seja, homens e mulheres desejam – por natureza – características diferentes em seus/suas parceiros(as). Esse é um assunto exaustivamente estudado pela psicologia evolucionista (que de tempos em tempos apresenta novas evidências acerca de características diferentes) porém, para resumir, pode-se dizer que os homens tendem a priorizar sinais de beleza e juventude na hora de selecionar uma parceira, enquanto que as mulheres tendem a priorizar sinais de status e poder no momento de selecionar seu parceiro. Essa é a razão pela qual os homens competem tanto entre si para serem reconhecidos como “poderosos” (pois isso chama a atenção das mulheres), enquanto que as mulheres competem entre si para serem reconhecidas como “belas” (pois isso chama a atenção dos homens).
Partindo dessas constatações (solidamente embasadas em evidências científicas), é possível levantar a hipótese de que o aumento significativo do consumo de produtos de beleza por parte das mulheres em períodos de crise econômica serve para que elas fiquem mais atraentes e consigam se destacar, atraindo homens com maior capacidade de prover recursos (quando esses estão escassos), o que as ajuda tanto na sobrevivência quanto na reprodução.
Essa hipótese foi confirmada pelo último experimento descrito neste artigo. Os pesquisadores puderam concluir que esse “Efeito Batom” é significativamente mais evidente entre as mulheres solteiras e que estão à procura de parceiros para relacionamento de longo prazo. Isso porque, ao selecionar um parceiro para compromisso de longo prazo, as mulheres são muito mais exigentes quanto à capacidade deste homem em prover recursos.
Por isso, a ideia é que elas se embelezam mais, na tentativa de capturar a atenção do “macho alfa” (rico, influente e poderoso), e assim conseguir passar pelo período de recessão sem tanta preocupação.

Nota:
Caso você tenha se interessado em saber mais sobre os “critérios de seleção de parceiros”, assista a minha palestra intitulada: “A Princesa & O Cafajeste: A Psicologia do Amor” disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=YPqiBl3G8Kg

Referência:
HILL, S. RODEHEFFER, C. GRISKEVICIUS, V. DURANTE, K. WHITE, A. Boosting beauty in an Economic Decline: mating, spending, and the Lipstick Effect. Journal of Personality and Social Psychology, vol. 103, n° 2, 2012.


Fonte da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNshjLLZ4DL1NKMz2ie6e1YN9dnlhXvuAzqeWtISVmuLymbbN1WH9QCP-SfLslX1BQO4upSNvkkWh_sl6zBYltHdaIzemOfj0nEWJWkjoumk_F_Zgu6-P9suT4IHy_vQwJsQI3CT9JyQw/s870/header.png

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

VÍDEO: Diferenças de Gênero no Salário. Por quê?

Bom dia, Internauta!


    Estou escrevendo esse post para divulgar meu novo vídeo, onde procuro explicar com base nas evidências da psicologia, a razão pela qual homens e mulheres recebem salários diferentes. Comento sobre isso em função de ter sido divulgado na última quarta-feira o resultado do CENSO-2010 em que foi demonstrada essa realidade também no Brasil.
     O vídeo pode ser assistido logo abaixo.



     Solicito que, após assisti-lo, avalie, comente, se inscreva no meu canal (TVCChannelNews) e ajude na divulgação, copiando o link em sua rede social preferida. Desde já, agradeço.

     Essas informações haviam sido utilizadas inicialmente para uma palestra que realizei no dia 12/08/2012 no "Corredor da Empregabilidade", da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, a convite da professora Inez Robert. A palestra recebeu o título de "Diferenças de Gênero no Mercado de Trabalho: o ponto de vista da psicologia evolucionista", e abordava, além da diferença salarial, outras questões relacionadas a essa questão. Porém, naquele tempo eu ainda não filmava minhas palestras, então só há mesmo registro em fotos, que seguem abaixo.

Apresentando a Palestra

Foram convidados os alunos de Psicologia, de Administração e de Educação Física

Tenha um dia PLENO!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

HANGOUT: "Monstros" que a Sociedade Cria

Bom dia, Internauta!


     Estou escrevendo este post para divulgar o hangout que tive o privilégio de participar hoje, organizado pelo e disponibilizado no canal de FoxxSalema, sobre os "Monstros que a Sociedade Cria". Nele discutimos sobre a influência da biologia e do ambiente sobre comportamentos violentos, indo desde o caso recente do rapaz que matou 26 pessoas em Connecticut (que, muito provavelmente sofria de "Síndrome de Amoque"), até os serial killers e outros tipos de psicopatas. Também comentamos sobre o Bullying e o Preconceito, e sobre como evitá-lo/desestimulá-lo.
   Acredito que tenha ficado um hangout bem diversificado, e que apresentou diferentes perspectivas acerca de o que faz alguém ser um "Monstro".
      O hangout completo (200 minutos) pode ser conferido logo abaixo.



Tenha um dia PLENO!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Crítica (vídeo e escrita) à Crítica contra Elizabeth Monteiro e à Rede Globo

Cena do filme "Mary & Max" (2010) que conta a história de um indivíduo adulto com "Síndrome de Asperger"


Boa noite, Internauta!


     Estou escrevendo esse post com dois objetivos.
    No último domingo (18/12/2012), a psicóloga Elizabeth Monteiro participou do quadro "Divã do Faustão" no programa "Domingão do Faustão" da Rede Globo de Televisão. E, ao comentar sobre o caso do rapaz que atirou e matou 27 pessoas na semana passada, em Connecticut/EUA, traçou um perfil ao vivo, classificando-o como tendo traços de "Síndrome de Asperger" e "Psicopatia" (Transtorno de Personalidade Anti-Social).
     Essa fala da psicóloga gerou indignação na blogueira Andrea Bonoli, responsável pelo blog "Lagarta Vira Pupa: o diário de uma mãe e seu garotinho autista" que escreve uma "carta de repúdio" à postura da psicóloga, e terminava exigindo retratação pública por parte da emissora. Você pode conferir essa carta clicando AQUI. Essa carta deu origem a uma petição online, que já conta com mais de 5 mil assinaturas. Você pode conferir a petição clicando AQUI.
     Deixo claro que não assisti ao vídeo da psicóloga, porque não o encontrei disponível na internet. Porém, se ela fez tais colocações, está no mínimo BASTANTE equivocada. Contudo, a carta também está errada em muitos pontos, e por isso escrevi uma crítica por escrito e coloquei como comentário no próprio blog da Andrea (além de tê-la divulgado em outros espaços na internet). Porém, para minha surpresa, nessa manhã descobri que meu comentário foi excluído.
     Logo, meu primeiro objetivo com esse post é divulgar a crítica que fiz por escrito. Segue:

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Olá!

Alguns aspectos da carta estão equivocados:

"2. Os portadores da Síndrome de Asperger não são considerados, “às vezes, inteligentes” como crê a profissional. A inteligência acima da média é, ao contrário, um dos fatores determinantes para que o indivíduo seja classificado como Asperger"
Não, não é. Basta ver os critérios diagnósticos do Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais (DSM-IV) e você vai ver que "inteligência" não faz parte do diagnóstico. Então, sim, a psicóloga está certa ao dizer que "ser inteligente" não é um sinal necessário da Síndrome de Asperger.

Outro trecho:
"4. A psicóloga Elizabeth Monteiro confunde, em seu discurso, psicopatas – pessoas incapazes de sentir empatia – e autistas. Estes últimos, apesar de muito sensíveis, possuem dificuldade com a expressão dos sentimentos, e não com os sentimentos em si."
A ausência de empatia é um sinal determinante do autismo, que tem sim uma dificuldade extrema na expressão E NA compreensão das emoções alheias. Os psicopatas também tem isso, só que as coisas são diferentes. No caso do autismo, o erro está na "teoria da mente", que é a base cognitiva para o compartilhamento das emoções com outras pessoas (empatia). Já no caso dos psicopatas, eles possuem uma "teoria da mente" privilegiada, porém, não conseguem compartilhar emoções com outras pessoas, ou seja, o erro deles está restringido à empatia em si. Então, apesar de a psicóloga ter errado na explicação dessa diferença, o que ela disse (em essência) está correto.

Eu acho importante criticá-la no sentido de "por que ela começou a falar sobre Asperger ou Psicopatia", sendo que o indivíduo não apresentava sinais de nenhuma dessas doenças mentais (e ainda hoje me manifestarei melhor a respeito disso, defendendo aquilo que pude concluir que aconteceu com o indivíduo em questão).
Mas, gente, essas críticas precisam ser feitas de forma bem estruturada. Senão, fica apenas um discurso ideológico que não tem o mesmo crédito (e nem deve ter) da ciência.
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     Meu segundo objetivo é divulgar um vídeo que realizei, esclarecendo melhor essa questão.
     Este vídeo (22 minutos) está disponível em meu canal do youtube "TVCChannelNews" e pode ser conferido clicando AQUI. Solicito que você assista, avalie, comente, ajude na divulgação e se inscreva no canal e nesse blog, para que possa receber as atualizações futuras, inclusive a do texto que escreverei muito em breve acerca da "Síndrome de Amoque".

Tenha um dia PLENO!
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Fonte da Imagem: http://vod.img.estaticos.tv.br/static/uploaded/imagens/cb5ee3d884cf46faa5ed18b5c4d7bd58.jpeg 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TEXTO: A Educação é (e deve ser) Laica!


A Educação é (e deve ser) Laica!
Thales Vianna Coutinho
Psicólogo - CRP12/10175
Personal & Professional Coach
thales.coutinho@hotmail.com


     Chega o mês de Dezembro e começam todos os tipos de comemorações referentes ao Natal. Lojas e estabelecimentos privados enfeitam o ambiente com luzes e presépios representando o nascimento de Jesus. Porém, há um problema quando instituições públicas incentivam e desenvolvem esse culto à mitologia judaico-cristã, enquanto que festividades de outras religiões são totalmente desprezadas.
     O problema é ainda maior quando esse ferimento à laicidade do Estado abre dentro das escolas. Durante esse período, muitas escolas públicas utilizam o tempo destinado à educação, para ensaiar e apresentar dramatizações sobre a história do nascimento de Jesus Cristo. Quando critico essa prática, não me refiro ao tempo em si gasto nessas apresentações (que não duram mais do que trinta minutos) e reconheço que esse tempo investido em qualquer disciplina não resultaria numa diferença significativa na formação de ninguém. O que critico é o princípio da coisa. Ou melhor, o ferimento ao princípio da laicidade da educação.
     A educação é e deve ser laica! Isso significa que ela não pode priorizar nenhuma religião em detrimento da outra. Mesmo a disciplina de “Ensino Religioso” (ainda presente em algumas escolas) não deve ser uma “catequese”, mas sim uma apresentação aos alunos sobre as principais religiões existentes na realidade brasileira, e isso inclui – para além do catolicismo – as religiões africanas, orientais, nativas, etc. Afinal, o Brasil possui uma variedade muito grande de credos, alguns deles totalmente diferentes um do outro.
     Isso significa que é inadmissível o fato de hoje em dia ainda haver essa preferência discrepante pela crença católica, principalmente em instituições públicas de ensino (que – lembrando – são financiadas com verbas públicas, geradas a partir do pagamento de impostos feitos por cada um de nós, independente da nossa convicção religiosa). Isso é um crime – e um desrespeito – cometido contra pessoas que creem em outras religiões, ou mesmo aos que não creem em nenhuma.
     Deixo claro que somos livres para expressar nossas crenças, porém, já existem espaços específicos para isso: em templos, nas igrejas, ou na própria casa. Nada, absolutamente nada justifica que práticas como essa continuem a existir nas escolas.
     É necessário haver uma vigilância e uma punição aos diretores que autorizem esse tipo de prática discriminatória e inconstitucional. Afinal, “fim de ano” não é sinônimo de “fim da laicidade do Estado”.


Fonte da Imagem: http://www.direitoaeducacao.org.br/wp-content/uploads/2012/04/estado_laico.jpg 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

HANGOUT: Diversidade Sexual

Bom dia, Internauta!


    Fui convidado para participar de um Hangout sobre "Diversidade Sexual", organizado pelo Sérgio Mendes e por Fox Salema. Participaram desse hangout, desde o pessoal de sempre: André; Sérgio Mendes, Merlim das Trevas e Maestro Bogs e Fox Salema, até vlogers como Guilherme Tomishyo e Pirulla,. Também participou o casal Sophie e Andrew.
   Qual a origem da homossexualidade? Existe "cura gay"? Por que há preconceito? O que é a assexualidade? O que é a transexualidade? ... Essas e outras questões foram discutidas nesse hangout, cujo vídeo completo você pode assistir logo abaixo. Esse vídeo ficou hospedado no canal de Fox Salema.



Tenha um dia PLENO!

HANGOUT: Humor Negro e Politicamente Incorreto

Boa noite, Internauta


     Estimulado por recentes polêmicas acerca da censura à comédia em geral, conversei com o Sérgio Mendes, que concordou em realizar um hangout abordando essa questão. Além do Sérgio, participaram também do hangout outras pessoas: Maestro Bogs, Merlim das Trevas, Julio Cordeiro (que quase não conseguiu falar devido a problemas técnicos), Foxx Salema, André (do GovernoFoderal) e outros que entraram em momentos específicos.
     Afinal, é certo censurar a piada? A piada depende da ofensa? Como diferenciar uma piada de uma ofensa pessoal?... Essas e outras questões foram discutidas nesse vídeo.
     O vídeo completo do hangout (que foi hospedado no canal do Sérgio) pode ser assistido logo abaixo.



     Caso tenha interesse em assistir a uma palestra que realizei, falando sobre a Psicologia do Humor e da Comédia, ela pode ser assistida clicando AQUI.


Tenha um dia PLENO!